Adriana Florence
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Expedição Langsdorff
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Expedição Langsdorff
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PEQUENO HISTÓRICO DA EXPEDIÇÃO LANGSDORFF

Em meio ao pensamento positivista, foram organizadas muitas expedições de reconhecimento ao Novo e Novíssimo Mundo. Essas viagens tinham propostas nobres, metas científicas e humanistas, diferente das anteriores que tinham como finalidade a descoberta de minérios e riquezas em geral para serem levadas à Europa ou expedições religiosas que buscavam catequizar o índios.

O Brasil estava em vias de independência.

Comandada pelo naturalista alemão Georg Heinrich Von Langsdorff, consul da Rússia no Rio de Janeiro, teve apoio do governo russo e de autoridades brasileiras, entre elas, o estadista José Bonifácio Andrada e Silva. Iniciou em 1821 e durou oito anos. Eram, ao todo, 39 pessoas, entre elas os pintores Hercules Florence e Adrian Taunay, o astrônomo Nestor Rubtsoz, o botânico Ludwig Ridel, o naturalista Wilhelm Freyreiss e uma equipe técnica de viagem incluindo escravos, guias, caçadores e remadores.

Partiram da fazenda Mandioca no Rio de Janeiro, passaram por São Paulo (um vilarejo de 15 mil habitantes), navegando pelo Rio Tietê e Rio Paraná (SP), depois Rio Pardo, Rio Cuiabá (MT), rumo a Região Norte pelo Rio Arinos e Rio Juruena atingindo o Rio Tapajós, Rio Amazonas até o Estado do Pará.

Em todo o caminho, os integrantes da expedição não deixaram de sentir a cordialidade da população local. Foram muitas as dificuldades. Doenças tropicais (principalmente a malária) prejudicaram inclusive o próprio Langsdorff que, em 1828, perdeu a memória. Mortes durante o trajeto, devido a perigos fluviais, problemas de incompatibilidade e dificuldades de relacionamento, sobretudo dificuldades financeiras no fim da provisão, transformaram a célebre expedição numa tragédia.

Financiada pelo governo russo, a Expedição Langsdorff foi uma das primeiras que registraram a flora, a fauna e a população indígena brasileira. A enorme coleção de duas mil páginas de anotações manuscritas, diários, e de registros iconográficos (300 desenhos) e cartográficos, foram dados como perdidos. Somente em 1930 foram encontrados nos porões do Museu do Jardim Botânico em St Petersburgo.

Hoje, a comunidade científica internacional é unânime em afirmar que esta foi uma das mais importantes expedições científicas que percorreram o interior do Brasil, no século XIX, de grande interesse para as ciências naturais como zoologia, botânica, mineralogia, geografia, metereologia e para as ciências humanas como sociologia, etnologia, lingüística e economia.

Faz parte do acervo do mundo este trabalho heróico, minucioso e profundo destes desbravadores, destes homens cheios de coragem.

HERCULE FLORENCE

Hercule-Romuald Florence nasceu em Nice, em 1804, filho de um médico do exército de Napoleão. Sendo de uma família de artistas, tinha habilidade para as artes e para as ciências, e sempre manifestou grande interesse por viagens e expedições.

Chegou ao Rio de Janeiro em 1824, a bordo de uma fragata francesa comandada pelo capitão Rosamel, que lhe consegue o primeiro emprego na loja de um amigo francês. Trabalhava na livraria e tipografia de Pierre Placher quando soube do anúncio do barão de Langsdorff, que procurava um desenhista para sua expedição. Foi contratado, também por seus conhecimentos em cartografia.

Durante a expedição que percorreu o interior do Brasil de 1825 a 1829, Florence escreveu um diário minucioso com importantes registros etnográficos, informações sobre a fauna, flora, hábitos e costumes do século XIX. Parte deste relato foi traduzida e publicada por Alfredo dÉscragnolle Taunay sob o título "Esboço da viagem feita pelo Sr.Langsdorff pelo interior do Brasil, de setembro de 1825 à março de 1829". Outra parte, com o título "De Porto Feliz à Cuiabá (1826-1827) ("Diário de viagem de um naturalista da expedição do Barão Langsdorff)", foi publicada em 1929, na Revista do Museu Paulista e, mais tarde, reeditada pela Editora Melhoramentos em 1941 e 1948, com o nome "Viagem fluvial do Tiête ao Amazonas, de 1825 a 1829".

Um outro manuscrito sobre a expedição faz parte do acervo do arquivo da Academia de Ciências de São Petesburgo, Rússia.

Florence não se limitava a desenhar e escrever, fixou até mesmo a musicalidade do canto de nossas aves em sua pequena monografia da Zoofonia.

Ao término da expedição se estabeleceu na vila de São Carlos (atual Campinas) e constituiu família. Dedica-se então à pesquisa de um novo sistema de reprodução, interessado que estava em publicar os estudos que vinha realizando, e chega à descoberta da poligrafia, impressão semelhante a de um mimeógrafo. Trabalhou sem descanso no processo de fixação de imagens através da luz solar. Suas anotações e pesquisas são elementos relevantes para nos levar a crer que ele antecedeu Daguèrre na invenção da fotografia.

A anotação em seu diário é bem clara: "A fotografia é a maravilha do século. Eu também já havia estabelecido os fundamentos, previsto esta arte em sua plenitude. Realizei-a antes do processo de Daguèrre, mas trabalhei no exílio. Imprimi por meio do sol sete anos antes de se falar em fotografia. Já tinha lhe dado este nome; entretanto, a Daguèrre todas as honras".

Hoje, com acerto, Hercules Florence é reconhecido como o pai da fotografia. Florence morreu em Campinas, em 1879.

GEORG HEINRICH VON LANGSDORFF

Alemão de Wollstein, nasceu em 18 de Abril de 1774. Defendeu de maneira precoce, aos 23 anos de idade, tese sobre obstetrícia. Possuidor de um vasto conhecimento científico e experiente viajante por várias partes do mundo (desde o Havaí ao Japão), buscou na Rússia novos horizontes.

Através de um amigo físico russo, obteve a informação de que o Czar Alexandre I queria patrocinar expedições. Langsdorff não poupou esforços para atingir seus objetivos. Foi para St.Petesburg, tornou-se membro da Academia de Ciências, mudou seu nome para Grigori Ivanovitch Langsdorff e, em 1812 foi nomeado cônsul-geral da Rússia no Brasil, tendo chegado ao Rio de Janeiro em 1813. Morou no Rio alguns anos sem perder seu grande objetivo de vida: conhecer palmo a palmo este país fascinante em riquezas e biodiversidade.

Organizou a expedição com muita sabedoria e dinamismo. Era incansável e ativo e, suportava com alegria as privações e todas as incomodidades. Fascinado com a natureza exuberante, seus textos são verdadeiras declarações de amor ao Brasil. Infelizmente, no último ano de expedição, Langsdorff perdeu completamente a razão e a memória devido ãs inúmeras vezes que contraiu malária. Voltou à Europa, vindo a falecer em Freinburg na Alemanha sem nunca ter se recuperado.